Perto do Teu Coração - Reflexões sobre o carinho do Eterno — para os dias em que você precisa lembrar que não está sozinho, que é visto, e que é amado antes mesmo de merecer.
Perto do Teu Coração - Reflexões sobre o carinho do Eterno — para os dias em que você precisa lembrar que não está sozinho, que é visto, e que é amado antes mesmo de merecer.
Cada pessoa precisa saber que ela tem importância. Não uma importância imaginária que ele "considera a si mesmo como especial"... Mas sim, uma importância profunda que é inclusive chocante.
O Talmud diz: "Cada pessoa deve dizer: 'O mundo foi criado para mim' (Sanhedrin 37a)." Rashi explica que isto significa que eu sou considerado tão importante quanto todo o mundo...
"Quanto todo o mundo" — Esta é uma experiência de vida única da pessoa — nunca houve uma pessoa como ela, nem nunca haverá uma pessoa como ela por toda a história. Eu, como as minhas forças de caráter especiais, o filho dos meus pais, nascido em uma época específica e em um determinado ambiente, certamente há um desafio único para mim. Eu tenho uma porção especial na Torá, e todo o mundo está esperando eu realizar o que cabe a mim. Pois a minha função não pode ser trocada com a função de ninguém em todo o mundo!
O Mundo Foi Criado Para Mim"
Há dias em que a gente se sente pequeno demais para importar. Um número entre bilhões. Um rosto que passa e ninguém guarda. E há dias em que a gente se sente grande demais — especial, imprescindível, o centro de tudo. Os dois enganos vêm do mesmo lugar: da comparação. Um te faz pequeno perto de outros; o outro te faz grande acima de outros.
O que Wolbe está te dizendo é outra coisa, e por isso ele chama de "chocante". Ele não está falando de tamanho. Está falando de insubstituibilidade.
Pensa assim: você não é um dos sete bilhões. Você é o único entre sete bilhões. Ninguém nasceu com os seus pais, no seu momento exato, com as suas dores exatas, para carregar exatamente a sua porção. Se você não fizer o que só você pode fazer, essa parte do mundo simplesmente fica sem ser feita. Ninguém mais tem a chave dessa porta.
Isso não é um convite para se achar importante. É um convite para parar de se sentir dispensável.
Porque é fácil, num dia ruim, pensar: "tanto faz se eu aparecer ou não, se eu tentar ou não, o mundo segue do mesmo jeito." E é exatamente isso que o Talmud vem desmentir. Não segue do mesmo jeito. Falta uma peça. Falta a sua peça.
E tem um outro lado, que os mestres também ensinaram: guarda essa palavra num bolso — mas guarda no outro bolso a lembrança de que você é pó e cinza. Não para te humilhar. Para te lembrar que grandeza sem humildade vira soberba, e humildade sem essa grandeza vira desânimo. Você precisa dos dois bolsos. Hoje, talvez, você precise só de um: o que diz que o mundo foi criado por você.
Não porque você é perfeito. Não porque já resolveu tudo. Mas porque a sua função nesse mundo — a sua, e só a sua — ainda está esperando por você.
Moreh Mikhael Schiffman Roland
Perto do Teu Coração — Reflexão a partir de Shir HaShirim
Há um livro no Tanach que parece, à primeira leitura, fora de lugar entre a Torá e os Profetas: Shir HaShirim (Cântico dos Cânticos) — um poema de amor, cheio de desejo, de espera, de saudade. Rabi Akiva disse: "Kol hakuvim kodesh, veShir HaShirim kodesh kodashim" — "Todos os escritos são sagrados, mas o Cântico dos Cânticos é o Santo dos Santos."
Por quê? Porque só a linguagem dos amantes é forte o bastante para dizer o que a linguagem da lei não alcança.
"S'mo'lo tachat le'roshi, vimino techabkeni" — "Sua mão esquerda está sob minha cabeça, e Sua direita me abraça" (Shir HaShirim 2:6). Não é metáfora de poder. É metáfora de intimidade. É a imagem de alguém que não apenas cuida de longe, mas se aproxima, sustenta, envolve.
E logo depois, um verso ainda mais delicado: "Im ta'iru ve'im te'oreru et ha'ahavá ad shetechpatz" — "Não desperteis nem acordeis o amor, até que ele o queira" (2:7). Mesmo o amor de D'us — dizem os sábios — não se impõe. Ele espera. Ele se aproxima devagar, como quem ama alguém e respeita o tempo de quem é amado.
Talvez seja essa a imagem mais honesta do carinho do Eterno: não uma força que te invade, mas uma presença que se aproxima e espera para ser recebida. Perto do teu coração — não à força, mas por amor.